Pessoa vendo no smartphone o valor alto de gastos com delivery e apps em destaque na tela

Eu confesso que já perdi a conta de quantas vezes pedi um delivery por impulso. O celular vibra, o estômago dá um aviso, aparece aquela promoção chamando. Pronto – três cliques depois, a pizza está a caminho. Parece inofensivo. É só uma pizza, uma sobremesa, um café na tarde de sexta. Mas, como já vi nos meus próprios extratos e na vida de leitores do Seu Mestre Financeiro, esses pequenos gastos se acumulam de um jeito silencioso. E, quando se percebe, o orçamento mensal ficou mais apertado do que o esperado.

O impacto invisível dos gastos com delivery e apps

Os aplicativos de entrega, transporte e pequenos serviços, de fato, remodelaram nossa rotina. Não estou sozinho: dados divulgados revelam que, em 2019, brasileiros já dedicavam cerca de 7,16% da renda de cada mês ao delivery de comida. E os gastos vão além do lanche. Transporte, compras, entretenimento – tudo cabe nesse universo de aplicativos. O perigo está justamente aí. Gastos fragmentados parecem pequenos, mas somam uma fatia relevante do orçamento.

Esses custos aparecem onde menos esperamos.

Por que se perde o controle tão fácil?

É interessante notar que a facilidade de uso dos apps conversa direto com o nosso cérebro mais impulsivo. O chamado “desconto hiperbólico” desperta essa vontade de gratificação instantânea. E os apps entendem isso muito bem: menu simples, ofertas rápidas, pagamento sem ver o dinheiro de verdade. Fica fácil ceder, difícil perceber que já extrapolou.

No Seu Mestre Financeiro, gosto de analisar não só os números, mas o que provoca cada decisão. Quando pergunto a amigos e leitores quantas vezes eles conferem quanto gastam em delivery por mês, a resposta frequente é: “Nem sei, mas deve ser pouco”. Só que não é.

O delivery pesa mais do que você imagina

Muita gente acredita que pedir em casa sai mais barato, porque elimina o deslocamento. Mas um levantamento recente mostrou que o custo médio do delivery no Brasil é 12,5% maior que o de refeições em restaurantes. E a diferença pode ser ainda mais gritante, dependendo do tipo de comida – em padarias, por exemplo, o delivery chega a ser 70,8% mais caro.

Ou seja: sua praticidade tem preço. Um pequeno luxo aqui, outro ali, e a fatura cresce.

Como os aplicativos se infiltram no orçamento

Eu já tive meses em que só percebi o gasto total depois de analisar minha fatura do cartão. Isso acontece porque os apps fazem cobranças pequenas, constantes, quase invisíveis à nossa atenção. Comprei um café, depois um pão, uma corrida curta, outra sobremesa – usado separadamente, tudo parece barato. No conjunto, vira um problema.

Outra questão importante é a forma como os aplicativos incentivam nosso consumo impulsivo:

  • Promoções relâmpago
  • “Frete grátis” para valores mínimos
  • Notificações frequentes
  • Facilidade de pagamentos por aproximação ou carteiras digitais

Todas essas estratégias são pensadas para aumentar a frequência e o valor dos pedidos. E, no fim das contas, quem paga a diferença é o seu planejamento financeiro.

Pessoa usando smartphone para pedir delivery de comida

Um novo hábito de consumo no Brasil

Além de transformar nosso cotidiano, os apps também criaram oportunidades de trabalho. Segundo o IBGE, em 2024 havia 1,7 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais, número que saltou 25,4% em apenas dois anos (conforme dados do IBGE). Ou seja, o delivery virou uma parte importante não só do consumo, mas da vida econômica de quem trabalha e de quem usa o serviço.

Até por isso, não acho que a saída seja “simplesmente cortar tudo”. O equilíbrio é possível – e necessário.

Evitando a armadilha: passos práticos para controlar os gastos

Depois de tantas tentativas (algumas frustradas, admito), defini algumas estratégias que funcionam no dia a dia, para mim e para leitores do Projeto Seu Mestre Financeiro. Vou compartilhar as que considero mais úteis:

1. Saiba exatamente quanto está gastando

O primeiro passo é simples no papel, mas exige sinceridade: some todos os gastos realizados com apps no mês. Deixe no papel, na planilha ou num app de controle financeiro. Você pode se surpreender.

Visualizar o total já é uma forma de repensar os próximos pedidos.

2. Estabeleça um limite mensal bem realista

Depois de saber quanto tem gasto, crie seu próprio teto para delivery e apps. Reserve um valor que caiba no seu orçamento, pensando no que é possível sem comprometer outras áreas essenciais. Se o orçamento apertar antes do fim do mês, segure os pedidos e planeje melhor para o próximo.

3. Evite guardar cartão salvo nos aplicativos

Pode parecer pequeno, mas ter que digitar o número do cartão a cada compra diminui decisões por impulso. Um obstáculo pequeno, mas eficaz.

Quanto maior o “atrito”, menor a chance do gasto não planejado.

Planilha de controle de gastos com delivery aberta em notebook

4. Aproveite promoções só se estivesse planejando comprar

Oferta não é desculpa para gastar. Antes de aproveitar aquele "frete grátis", pense se realmente faria o pedido sem a promoção. Se não, melhor deixar passar.

Promoção que te faz gastar não é economia, é armadilha.

5. Planeje ao invés de pedir por impulso

Programe os pedidos para ocasiões especiais ou momentos de cansaço real. Você pode até incluir o delivery nos finais de semana, mas evite transformar isso em rotina diária por comodidade. Planejamento torna o delivery uma escolha, não um reflexo.

E se o hábito já saiu do controle?

Algumas pessoas, quando percebem, já gastam uma parcela grande do orçamento dessa forma. Não há fórmula mágica, mas algumas medidas auxiliam na retomada:

  • Passe um mês sem pedir delivery como experiência. Sinta a diferença no bolso e na relação com a comida e o tempo.
  • Coloque alarmes ou lembretes semanais para revisar gastos com apps.
  • Converse com quem mora com você: alinhar expectativas pode evitar pedidos não planejados feitos por outras pessoas da casa.
  • Inclua pequenas recompensas pessoais ao economizar – um café especial feito em casa, uma ida presencial ao restaurante preferido.

Controlar gastos não é abrir mão do prazer, mas transformar pequenas escolhas em grandes resultados no seu orçamento.

Conclusão: Delivery pode ser aliado, não vilão

No fim das contas, minha experiência mostra que a chave não é cortar todos os pedacinhos de conforto que os apps proporcionam. O segredo está em usar a tecnologia a favor do seu bolso, não contra ele. Eu vejo o delivery como opção para dias especiais, não como escape do cotidiano.

Se você gostou das dicas e do olhar mais humano e realista sobre dinheiro, te convido a acompanhar o Seu Mestre Financeiro. Venha descobrir como hábitos financeiros saudáveis podem ser leves e transformar o amanhã – um app de cada vez. Experimente adaptar as estratégias sugeridas e compartilhe comigo seu resultado. Seu orçamento merece esse cuidado!

Perguntas frequentes

O que são gastos invisíveis em apps?

Gastos invisíveis são pequenas despesas feitas em aplicativos, como delivery, transporte ou streaming, que muitas vezes não percebemos, já que acontecem em valores baixos e de forma dispersa. Esses gastos passam despercebidos no dia a dia, mas juntos podem impactar bastante o orçamento mensal.

Como controlar os pequenos gastos de delivery?

O primeiro passo é anotar ou acompanhar a soma desses gastos durante o mês. Com esse valor à vista, defina um limite mensal específico para delivery e tente respeitar esse teto. Pequenas atitudes, como dificultar o acesso ao cartão salvo nos aplicativos e planejar pedidos apenas para ocasiões especiais, ajudam muito a reduzir o consumo por impulso.

Vale a pena usar apps de comparação de preços?

Sim, desde que você não se deixe levar por promoções e só compare preços quando já estiver decidido a comprar. Apps de comparação ajudam a identificar melhores ofertas, mas é importante não transformar a pesquisa em desculpa para novos gastos desnecessários.

Quais apps ajudam a monitorar despesas?

Existem diversas opções de aplicativos de controle financeiro que permitem cadastrar e visualizar despesas mensais, incluindo as daqueles gastos feitos por outros apps. Eles facilitam na hora de revisar onde estão indo seus recursos, tornando a gestão dos pequenos gastos mais visual e simples.

Como evitar promoções tentadoras nos aplicativos?

Desative as notificações dos aplicativos no seu telefone e evite cadastrar cartões que permitam compras rápidas. Com menos estímulos visuais, fica mais fácil não se deixar seduzir por ofertas inesperadas. Planejar as compras com antecedência também reduz bastante o risco de ser influenciado por promoções do momento.

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Seu Mestre Financeiro é um blog apaixonado por finanças pessoais, psicologia econômica e educação acessível. Nós escrevemos para desmistificar conceitos financeiros, transformar jargões em conversas cotidianas e ajudar leitores a ressignificarem sua relação com o dinheiro. Sempre buscando unir histórias reais, tendências e um toque de humor, nós acreditamos que aprender sobre finanças pode – e deve – ser leve e relevante para todos os momentos da vida.

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